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COMO VOCÊ TORNOU-SE UM FUMANTE
A dependência química e a psicológica


Você construiu o ser fumante, pouco a pouco, iniciando no primeiro cigarro, depois no segundo e, assim, sucessivamente, um após o outro, no primeiro dia, no segundo dia; no primeiro mês, no segundo...; no primeiro ano, no segundo....

Sem estar atento, o vício foi dominando-o!

No início, não era vício, pois, logicamente, o seu organismo, ainda,
não estava dependente. Era fácil afirmar: - Fumo quando quiser! - Fumo só socialmente!..., e era verdade porque as células cerebrais, os neurônios, ainda não estavam adaptados à substância nicotina, para serem seus receptores; ainda não havia a dependência química.

Que engano voluntário! Que desatenção! Que Falta de percepção!

O "bichinho" do vício, imperceptivelmente, foi instalando-se, foi tomando conta, apossando-se de você. E, hoje, ele é dominante. O ser espiritual, que é você, está subjugado ao vício.Talvez, doa no seu íntimo aceitar estas afirmativas. Porém, elas são verdadeiras. Se o seu discernimento não for suficiente para aceitá-las, faça experiências, veja se você consegue ficar sem fumar.

O "bichinho" a que, simbolicamente, nos referimos representa a ação da nicotina; substância que atua pela comunicação entre as células, provocando a dependência química do organismo (neurotransmissor).Ao tragar o cigarro, a nicotina chega ao cérebro em poucos segundos, provocando liberação de hormônios no organismo, causadores de sensações de alegria e de bem estar.

Estes neurônios receptores específicos que reconhecem a substância nicotina, exigirão, com o passar do tempo, quantidades cada vez maiores dessa substância para dar as mesmas sensações ao organismo.

É à exigência destes receptores, provocada pela ausência da nicotina, que tem de ser reposta, a que chamamos de "os bichinhos".

É muito importante ter o conhecimento deste mecanismo, causador da dependência (vício), para que o fumante compreenda as fases pelas quais deverá passar, a fim de que, com o tempo, as células se modifiquem, novamente, reajustando-se à situação de quantidades reduzidas de nicotina (readaptação contínua a quantidades cada vez menores), aliviando, assim, os sintomas da abstinência.

Vejamos, abaixo, a maneira pela qual a pessoa vicia-se, voluntária e inconseqüentemente:

Nas primeiras tragadas, o organismo não conhecia as substâncias tóxicas contidas na fumaça do cigarro; nem tampouco os neurônios conheciam a substância nicotina. Ao serem ingeridas, provocavam desagradável mal estar: tonturas, enjôo, tosse, alteração dos batimentos cardíacos, etc. Era a reação do organismo rejeitando tais substâncias.

No entanto, ela insistiu em fumar e tornou-se recalcitrante, isto é, forçou, deliberadamente, o organismo a aceitar a nicotina e as demais substâncias.

Este período denomina-se fase de adaptação ou de tolerância, na qual o organismo vai adaptando-se à invasão toxicômana através das milhares de substâncias ingeridas, voluntária, insistente e inconseqüentemente pelo futuro viciado.

Na curta fase intermediária entre a da tolerância e a da dependência química, as células cerebrais, que não conheciam a nicotina, foram adaptando-se e tornando-se receptivas a ela. Em sete segundos, ela chega aos neurônios para cumprir com a sua função de neurotransmissores.

Com o passar do tempo, passarão a exigir quantidades cada vez maiores dessa substância, a fim de dar continuidade à sua nova função. Estará criada a dependência química.

Agora, o organismo não mais lutará contra a sua intoxicação (não sente mais o mal estar), adaptou-se à nicotina e às substâncias. Daqui por diante, criada a fase da dependência química, que é progressiva, imperceptivelmente, ele passará a exigir quantidades cada vez maiores de nicotina para receber as mesmas sensações de bem estar.

Passadas duas horas, a nicotina não mais circula no sangue. Entretanto, os neurônios que se adaptaram a ela para recebê-la, estarão esperando, solicitando-a, a fim de cumprirem com a sua nova função criada.

Disto, surge a vontade de fumar. É necessário repor a nicotina no sangue, para atender a solicitação dos neurônios que "querem trabalhar".

E, assim, progressivamente, em períodos cada vez menores, a nicotina tem que ser reposta no sangue. É a dependência química.

O hábito de fumar começou com poucos cigarros fumados no dia; foi aumentando para dez, quinze, vinte... e, assim, progressivamente. Existem fumantes que fumam 60 a 80 cigarros por dia (um cigarro a cada dez minutos, aproximadamente).

Concomitantemente, com os sucessivos e repetitivos movimentos de fumar diante de determinadas situações, criou-se o condicionamento mental e psicológico, no qual, a cada estímulo externo, responde-se com a necessidade de fumar. Vejamos abaixo:

O estímulo externo (ação indutora) provoca na mente (receptora) a reação de responder com o hábito de fumar: leva-se a mão para o maço de cigarros, retira-se um e é levado à boca; busca-se o isqueiro ou fósforos, acendendo-o. Neste instante, provoca-se uma combustão que liberará, pela combinação, imensas quantidades de substâncias tóxicas e cancerígenas. Finalmente, ele é tragado e retirado da boca, repetindo-se este movimento, em média, dez vezes por cigarro.

Desta maneira, cria-se o condicionamento mental e psicológico

Concluindo: a pessoa construiu o ser fumante num processo de quatro fases: a da tolerância ou adaptação; a da transição; a da dependência química e a do condicionamento mental e psicológico.

Portanto, para parar de fumar é preciso que se desfaça o que se construiu, de uma forma inversa, semelhante àquela que conduziu ao vício, através de procedimentos racionais, dirigidos e controlados, suportando momentos passageiros de dificuldades, resultantes da readaptação dos neurônios a quantidades cada vez menores de nicotina no sangue, até a sua eliminação total, quando não se fumar mais.

Este trabalho irá ajudá-lo a vencer esta luta.

Autor: José Carlos D'Angelo - Desenvolvido por RHD Apoio: Estopal Ltda.